sobre Fred Einaudi

::ESSE MUNDO RECONHECIDO PELAS BOTAS FODIDAS DO RASKOLNIKOV::
Ora Não há dúvida com o que ficamos diante da escolha entre a felicidade e a curiosidade.
- Curiosidade de que?
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 05h58
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[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
sobre Magritte

::A NARRATIVA DO HOMEM MORRE QUANDO ELE ACABA::
Estes dias quentes, estes que têm tido um céu violentamente azul, me dão um sentimento de absurdo. Como se lembrassem alguma coisa a que não consigo dar nome. É como um lugar, é como um tempo, é como uma história, é como um sentimento... mas juntos, numa única e mesma “imagem”, juntos e vivos.
Fico com a impressão non-sense de que se conseguisse escrever mesmo sem poder dar nome a isso talvez tramasse um texto com algo de um animal, um animal desconhecido; ou de um tipo novo de movimento motor; ou de um ciclo de marés das quais nada se sabe... Menciono estes exemplos pelo que de non-sense podem sugerir atirados dessa forma mas, de qualquer maneira, o que quero dizer é que penso em algo de um “sem sentido” vivo.
Todorov diz que contar uma história é realizar o que nela se conta. O Príncipe Firuz ganha o coração da Princesa de Bengala, não por viver a sua aventura, mas por contá-la.
"É, muito provavelmente, a experiência viva do sublime o que me atrai em dizer dessa sensação de absurdo", penso enquanto olho o céu vivamente azul, e parte da rua, da pequena sacada a que cabe à minha casa.
O piso de lajota queima. Estou com o peso apenas nos calcanhares - isso que fazemos quando andamos num lugar molhado ou quente demais – e vejo uma ave voando em círculos, muito alto. Um urubu.
Olho as ruas, as copas das árvores, as outras casas mais à frente e ao lado e tento adivinhar o que aquela ave, que come carne, que sente o cheiro de sangue exposto e que busca corpos, o que ela poderia ter descoberto. As aves da cidade - as condenadas à desconfiança.
Brinco com os pés nos quadrados do piso enquanto vou esquecendo de adivinhar, mesmo de pensar no urubu. O sol arde e, mesmo com os óculos escuros, ofende sem cerimônia a vista. Não dá mais. Meus calcanhares também já ardem. E então levanto os olhos e há isto. A ave desceu muito rapidamente pelo visto. Está aqui, silenciosa, no parapeito da sacada. Vê em mim o que, agora, não sei. Aproxima-se com pequenos gestos de cabeça. Não posso me mexer. Acho que não posso. Não posso. Tem unhas espantosas. Um bico pronto a rasgar o que quer. Observa em mim o que, agora, não sei o que será.
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 01h20
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[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
sobre David Hockney

::NINGUÉM É O ESPAÇO QUE HÁ ENTRE DUAS PESSOAS::
Afoguei de vez qualquer vontade de mentir ainda outro dia destes - quando ouvi um velho falando que a vida não tem sentido e que cobrar da vida suas conquistas ou chances, depende de onde você se encontra perambulando, era um erro deslavado.
Dizia a uma pequena platéia, antigo como um mineral, que a vida nunca garantiu e prometeu nada a ninguém. “Não cobre nada”, dizia o velho.
Honestamente, não foi difícil enxergar a partir desta idéia que não há o mínimo e mais fodido sentido em viver se não for viver ainda mais, se não for para deixar as cobranças, esperanças e as preocupações todas afogadas em movimento, em bruto movimento.
Em outras palavras, ele deixava cintilar por entre os seus lábios que toda memória, experiência e imaginação que passem pela sua carne não ganham sentido do lado de fora. Elas são o próprio sentido! Poderia ter dito de maneira sonora algo como, sabe-se lá, “destino é uma palavra que aparece de dentro dos seus gestos”. Mas fez melhor, uma dura: “Não cobre nada da vida”.
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 23h45
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[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
sobre Romero Britto

::Teoria do Palhaço::
Tenho um truque pra te dar
No trânsito, estou no centro
Em todo trecho
Trrrrrrrrr
Pega
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 05h11
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[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
[ O Tempo, Este de Cabelos Cansados ]
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