
::O TEMPO PARADO PELA PRESSA::
Já era fim de noite e buscava o maço com a ponta de dois dedos dentro do bolso da camisa. Decidi fumar meio cigarro mesmo, estupidez das estupidezes, sentindo-me mal o dia inteiro.
Assim, quando finalmente “instalei” meus cotovelos sobre o mármore do balcão, passava muito mal: estava, na verdade, sozinho, desesperado e com a mais completa certeza de que teria dificuldade, ali, para dizer o que eu procurava. Fiquei parado junto ao acrílico que orientava os hóspedes sobre os horários e serviços por um longuíssimo tempo, fingindo já procurar algo entre as letras que misturavam itálico e itálico com bold.
Eu sabia: devia ter uma expressão tão involuntariamente dura que, mesmo não tendo mais ninguém no hall do lugar, a mocinha da recepção resistia, a seu modo, a fazer qualquer pergunta.
Enquanto parecia anotar os horários que os hóspedes haviam pedido para serem despertos na manhã seguinte ou algo assim, deixava rapidamente os olhos subirem e descerem pelo espaço do hall e passarem retraídos sobre mim.
Sabia também que o que sairia de minha boca não seria uma voz e muito menos palavras articuladas de modo a serem percebidas (o silêncio queimava até a dor a minha garganta), de maneira que permaneci mudo, como se estivesse esperando a jovem terminar sua tarefa para lhe dizer, educadamente, o que eu precisava.
Naturalmente, isso jamais aconteceu e foi, dessa forma, que, pouco a pouco, e sem lógica alguma, eu parecia não estar mais ali, encostado num balcão, e a mocinha, em sua ocupação, do outro lado, organizando o seu trabalho. Eu percebia a luz clara e forte do lugar, o corredor que dava até uma área aberta, o chiado constante de alguma pequena queda d’água que vinha dessa mesma área, o restaurante já escuro atrás dos vidros, os carros que passavam de tempos em tempos pela rua em frente, a dor na minha garganta que parecia já me impedir de engolir. Por um segundo, imaginei sair dali sem dizer nada, ir embora, voltar à rua.
Até que dois rapazes cheirando a banho e conversando ruidosamente atravessaram do elevador até a recepção, deixaram sua chaves sobre o balcão e entraram numa rápida conversa com a jovem moça sobre os lugares que estariam abertos, àquela hora, ali por perto.
Depois de duas ou três sugestões feitas por ela e deles agradecerem, saíram conversando e rindo já novamente de maneira festiva.
Limpando a garganta e arrumando os óculos como se acabasse de chegar ali, perguntei numa única frase sobre um quarto.
Falando de forma automática/sorridente, a moça respondeu-me afirmativamente e perguntou se gostaria de hospedar-me.
Disse que sim e, tentando algum comentário, com a voz áspera, sobre o horário do café da manhã, perguntei se poderia programar o horário para ser acordado. Senti os olhos arderem ou os vi um pouco avermelhados em um espelho... Quer dizer, com isso as coisas já não eram mais tão claras e por uma vaga vontade de recordar, então, terminei despertando.
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 02h00
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Um peixe sobre a mesa clara falava aos soluços Quando eu estava desatento acabei sendo eu Agora eu não posso saber como é que é
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 02h09
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[ O Tempo, Este de Cabelos Cansados ]
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