foto Beth Barone
 
::A AUTO-ELÉTRICA SOA ATRÁS DAS CABANAS DE ÓPERA-CÔMICA::
Montado sobre uma tampa de refrigerante, um pequeno teatro de fantoches anunciava para as 15h30 a apresentação de uma estória sobre um grupo de pulgas de circo.
Representadas, na trama, no momento de encenação no picadeiro e introduzidas pelo fático “senhoras e senhores,”, as pulgas mostravam, de acordo com a estória, o resultado de algumas horas de ensaio com o trapézio, os aros e uma pequena gangorra.
Tudo corria bem até o intervalo - quando uma das pulgas irritou-se com o descuido em que lhe pareceu estar atirado um dos lados da gangorra – precisamente o que lhe cabia dentro da encenação - e resolveu, no meio do segundo ato e para surpresa das outras duas pulgas que a acompanhavam no picadeiro, dirigir-se ao público comentando sobre o acúmulo de poeira que via sobre a pequena gangorra.
Profundamente incomodada com o que tomou como uma indiscreta ofensa, a pulga a quem cabia a limpeza da gangorra, convidou, então, o público, entre risos, a conhecer uma rápida estória sobre um grupos de ácaros e um grupo de fungos que disputavam o direito à propriedade de um monte de poeira.
Na história, ácaros e fungos dormiam depois de uma noite exaustiva de mudanças no espaço provocadas pela passagem de um ramo de vassoura, quando foram despertos pela chegada de um grande número de bactérias, provavelmente, trazido pela sola de uma bota que se demorou enormemente por ali. As bactérias, pelo grande número e pela disposição em ficar no lugar, resolveram exigir, tanto dos ácaros quanto dos fungos, todas as proteínas que por ali se encontrassem.
As proteínas, percebendo que os ânimos no lugar já se estremeciam, pediram a permissão de mediar a discussão sobre quem possuía direitos sobre o lugar.
No entanto, antes que a mediação da disputa fosse passada às proteínas, uma das próprias proteínas do grupo discordou da sugestão e, para justificar sua recusa, pediu para contar uma pequena estória de poucas linhas sobre uma carga de elétrons que viajavam pela primeira vez juntos.
Sugerindo, no entanto, que levaria um bom tempo para contar toda a estória, ela começou lentamente e com voz baixa: - Vamos pensar que talvez toda a linguagem seja um recurso montado sobre uma tampa de refrigerante...
por jeff@ig.com.br às 01h38
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