
::ANTES QUE TODOS DESCUBRAM A INCOMPREENSÃO DE DEMIS ROUSSOS::
Pelo número de carros que já se juntava na rua, era bem próximo das seis quando ele chegou e nos encontrou matando o tempo na escada. Chegou dando-nos um valor que, disso nós sabíamos, nós não tínhamos. E ainda assim foi a nossa completa desgraça: tentamos nos apoderar daquela posição! Daquele valor que aquele homem (aquele homem qualquer, às seis horas da tarde de um dia qualquer!) nos deu. Passamos a persegui-lo... até nos transformarmos. E hoje eu vejo que esse era um jogo bem fácil de se cair: estávamos escravizados pela submissão de um homem qualquer ou, muito provavelmente, sobre a nossa própria idéia (como Narciso e o caralho)... A verdade é que a nossa despretensão era de fachada. Naquela época, eu queria pensar como penso hoje sobre o quanto estou sujeito à diversão de um embusteiro desses. Da outra calçada, ele me transforma no que eu nunca fui apenas baixando a cabeça e usando delicadamente a sua preocupação em escolher bem as palavras antes de falar comigo. Hoje, se há uma coisa que importa-me muito é o leitor, passar isso ao leitor. É preciso que se fale coisas desse tipo. Por exemplo, você já percebeu como o leitor é cada vez mais como um pássaro livre? Cada vez mais raro e mais importante?
por jeff@ig.com.br às 02h57
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