
::UM LIVRO FÚNEBRE EM MINHA CABEÇA ou TODO MUNDO TEM UM VÍDEO-CASSETE QUEBRADO EM CASA ::
Quando chego perto de tocar o ininterrupto, as coisas, que mesmo que por um miserável segundo parecem falar por si só, se penicam e desaparecem. E lá vou eu, na pista de um arremedo do que foi aquilo, seco e sem dar o braço a torcer. Isso é uma situação minha, velha e conhecida. Esses são bons momentos para a terceira pessoa, esse araque, que faz todo o papel literário de um sobretudo visto de costas e duas mãos metidas nos bolsos. E perde-se... olhando o mar, o mar comido pelo escuro. Os erros mais do que aceitos, são recebidos como o rapazinho do correio... de quando ele aparece com um embrulho mais taludinho na mão. A história desenhando-se por caminhos espirituosos, apetitosos, quase vivos em nosso empenho em fazer com que eles continuem indo e indo, se assim permitissem - só que a música não está no ritmo em que se pode quebrá-la mas na dança que chega com ele. Fecundo, ilumina, seiva e enlevo, por exemplo, deixam que algum som de suave e doce se aproxime e seja tirado a dançar. Isso quer dizer, o terror, o encanto, a paura, o orgulho, a culpa, o calor e todo o mais cantam com vozes diferentes lindas canções humanas e inumanas. Meu Deus. Mas eu vou ser sincero. Eu só estou dizendo isso porque há uma história que não faço a menor conta de por onde puxá-la. M. estava na rua para acompanhar uma cena de mau-gosto: o governador iria cortar em praça pública o próprio cabelo.
Acho que agora... Bem. Vou tentar ir direto. Um assessor deixou cortarem-lhe o cabelo primeiro para que desse tempo de reunir, e mesmo incitasse a reunião, de pessoas na praça. Uma mistura de mágico e cabeleireiro ateou, então, fogo em torno do rapaz e com os dedos e um pequeno maçarico foi tirando um pouco do cabelo, sei lá. Esse fogo, ou sabe-se lá o que... Não dá. Deixa eu acreditar primeiro nisso. Há textos que não falam, tagarelam - (B.).
por jeff@ig.com.br às 22h53
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