:: NOMES DE UMA CASA PASSADA::

 

A.

Trancafio-me numa idéia para fugir de outra.

Sou acanhada. Quero ter apenas a justa medida do perfeito.

Um medo terrível de perceber, olhar, encontrar o que não quero.

Depois tenho culpa por não aproveitar o tempo todo que tive,

e, no entanto, não tive esse tempo; e,no entanto, devo conseguir esse tempo todo.

                                                                                                                                

S.

Vou olhar de dentro de meus óculos minha teoria que preparo para nascer.

Poderia estar com os meus (como efetivamente estou) com uma alegria pessoal e não numa  necessidade alheia que calculo abaixo de um bigode de sete dias tocada em mim.

Até quando teorias? Até quando a vontade de ser um desses livros do começo ao fim – interpretáveis mas definidos e estampados?

 

K.

Existe alguém de sorriso sempre amável? Vamos deixar claro o bastante que era um sorriso calhorda e imundo. A má-fé, onde guardava o que tinha de má-fé senão naquele sorriso, em todo seu corpo magro e quebradiço? E, ainda assim, dia a dia, eu tinha de engrossar um coro não sei se desatento, ou igualmente imundo, em seu desagravo. Só agora, escrevendo isso, vejo que foi ali que passei a me considerar um santo, um homem caminhando para o isolamento.

 

N.

O que preciso é assegurar que tenha algo mais para essas minhas medidas:

uma inflexibilidade festiva

um descontrole vaidoso

uma prontidão calculada

o egoísmo amadurecido

e uma paixão pelo silêncio e pelo tempo que ganha clareza no que virá.

Fábrica de epígrafes, queria falar como posso – mas é pouco, mas é cedo, mas é dissonante e ganancioso, é para que?

Se tentasse assim, aos poucos, ganharia - perdendo idéias demais?

 

I.O.

O poder das coisas não ditas: o barulho, o movimento e o futuro que elas fazem.

Encontrar uma própria voz e uma certeza clara de por onde vou sozinha.

Cada vez mais distraio-me com os cheiros e as cores que aparecem no caminho de uma tentativa de resposta. Então busco o sentido de uma palavra através de seu som e, repetindo-a de formas diferentes, o que consigo é tirar o sentido da palavra, do som e de mim mesma.

 

 

::Ao tempo que fica / Às pessoas que passam::

 

 

 


por jeff@ig.com.br às 17h36 [   ]
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    Com as asas molhadas sob o sol,
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    (Abril / 006)



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    o azul, o amarelo e o vermelho,
    pelo que parece,
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    (Abril / 006)


    Jefferson Alves de Lima, 33, jornalista, está a ponto de acreditar que vai dar para concluir o mestrado em Comunicação e Semiótica

    Ou só o do email:jeffersonalvesdelima@hotmail.com