sobre foto de Ian Cotta

 

 

 

                                                           Viver é ser outro
                                                                     F. Pessoa

 

Alma emputecida
Empanada por cimento e cacos de vidro

Canta entre as giletes
de tua gengiva

O gosto silente da encenação perdida
que cá estou to ouvindo

 

 

 


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 02h12 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]






 

 

Veja aqui o embusteiro

Quando é um jogo começando

Jogou antes e primeiro

 

 

 


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 19h12 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]






Perry Hall
 


Vrummmmmmmmmmmmmmmmm

Longe na estrada 

A rasgar solto a madrugada





Foi o automóvel ou nosso debrum!?






por jeffersonalvesdelima@hotmail às 11h09 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]









:: A UNIBAN ESTÁ SOZINHA NESSA? ::


Esta gente que expulsou a garota da faculdade forma pessoas. Isto salta de cada declaração, de cada pronunciamento, de cada depoimento, de cada comunicado que a Uniban dispara sobre a expulsão da garota que ousou se apresentar num vestido vermelho demais, curto demais, em um espaço em que as pessoas buscam ampliar e dar cores a seus futuros e ao futuro dos lugares em que vivem e sofrem.

A todo tempo esta gente que expulsou a garota da faculdade por ousar estudar com um vestido vermelho demais, curto demais, fala em formação, educação, aprimoramento, desenvolvimento, compromisso e promoção de valores. Esta gente que expulsou a garota da faculdade forma pessoas.

São pessoas que dispõem seu tempo, seu empenho, suas vontades e dúvidas, suas necessidades e sonhos para esta gente que expulsou a garota da faculdade reforçar diante delas as suas noções de aprimoramento.

Reafirmam ali entendimentos sobre convívio, referências de liberdade e determinações sobre pertencimento para estas pessoas de um Brasil que há décadas sofre ouvindo que educação é a saída.

Mas esta gente que expulsou a garota da faculdade por usar um vestido curto demais, vermelho demais, não deveria saber que forma pessoas? E é, assim, que o caso todo que já era um descalabro, ganha lances, sobre lances, perturbadores. Como, dentro de uma universidade, 700 alunos perseguem uma garota por ela ter atitudes de 'puta'?

E se fosse uma 'puta' ela não poderia dispor seu tempo, seu empenho, suas vontades e dúvidas, suas necessidades e sonhos em busca de ampliar suas alternativas de futuro?

E isto se fosse, ainda que fosse 'puta', no condicional, considerado que o caso não é, nem por hipótese, quem 700 estudantes universitários perseguiram mas o fato de terem se investido do direito de perseguir.

Como neste lugar em que são reafirmados entendimentos sobre convivência, sobre referências de liberdade e determinações sobre direitos e deveres algo como isso chega a acontecer? 700 alunos perseguem uma garota por ela ter atitudes de 'puta'?

Pode-se imaginar que a turba, que correu aos guinchos atrás da garota (quando pensou ela ter o direito de estudar com o vestido que lhe desse vontade), pode-se pensar que a turba teve esta espécie de reação em cadeia das massas em todo o seu anonimato.

Uma espécie de avanço que foi do comentário de fundo sexual até a euforia do cio transtornado e toda a farra e explosão lunática que coube aí pelo meio. E isso seria tentar explicar o caos ou, ao menos, torná-lo (e seus gritos que pediam o estupro da garota) menos assustador.

Mas, no entanto, o que já era aterrador se transformou em treva absoluta sobre o papel da instituição 'ensino superior' no Brasil e tal forma como ensino e negócio estão sendo associados.

A reação deixou de se dar por parte de alunos transformados em bestas em seus espasmos lúbricos, que pareciam chafurdar nesta espécie de festa de execução e linchamento, para passar a ser do 'Conselho Superior da Universidade Bandeirantes'.

O que a direção da Uniban pareceu ter procurado com a expulsão anunciada em comunicado na capa dos principais jornais do Brasil neste domingo 8/11/2009 (a expulsão da garota que ousou se apresentar num vestido vermelho demais, curto demais) foi esta solução forte, rápida, impactante e de repercussão gongórica que grandes marcas do mercado no olhar do Conselho Superior da Universidade Bandeirantes, ao que parece, tomariam.

E, naturalmente, foi como empresa, como negócio, como marca e em 'resposta ao mercado', que a Universidade Bandeirantes parece ter desejado entregar a todos os seus '60 mil alunos', e diante de todos da sociedade, a sua face e o seu exemplo do que se deve fazer com uma mulher que pensa poder se 'insinuar', 'alimentar a curiosidade', 'aumentar sua exposição', 'ensejar, de forma explícita, apelos' e usar 'trajes inadequados', como é dito em seu comunicado redigido em busca de amparo numa moral que faz enregelar a espinha de quem vive no Brasil no ano de dois mil e nove.

Como uma garota expulsa por meio de um anúncio nacional pode ser o exemplo de uma universidade?

A universidade diz ainda em seu comunicado estranhar 'o comportamento da mídia', que ecoou o que foi feito com esta garota Geisy Villa Nova Arruda. E que a 'mídia' perdeu 'a oportunidade de contribuir para um debate sério'.

Debate sério, e preocupante, é este que se abre frente ao posicionamento de uma universidade que deixa entrever sua disposição (nesta noite de 9/11/2009 haveria de voltar atrás de sua decisão de expor a sua face terrível ao revogar a expulsão) e revela a forma como uma instituição dedicada ao ensino nivela seus alunos, seus professores, todos seus técnicos e profissionais como obstáculos, como empecilhos diante de seus negócios.

É como uma vigorosa entidade diante de seus investidores que a Uniban pareceu agir em todas as suas certezas fundadas num pensamento deploravelmente 'hábil' e que seu comunicado empresarial calculava defender tão bem.

E é, ao mesmo tempo, como universidade que ela financia a barbárie e atira sua natureza ligada à formação de pessoas, sem pudor, aos idiotas que quiserem se preocupar com isso.

Agora esta gente que expulsou da faculdade a garota que ousou usar seu vestido vermelho demais, curto demais, esta gente que forma pessoas como quem conduz uma marca financeira, será que esta gente está só, mesmo, na Uniban?



por jeffersonalvesdelima@hotmail às 23h45 [   ]
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foto de Cristiano Mascaro



:: Tempo Real ::



                          À memória de P. Leminski




Haja hoje agitado
Pra tanto amanhã em branco
e todo ontem riscado




.



por jeffersonalvesdelima@hotmail às 19h46 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]






foto Cia. de Fotos





Fogo marítimo de pelos lisos,
Sexo é o amor do vento acre e doce
Molhando o juízo





.


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 13h41 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]






foto de Vitoria Falabella

 



:: HI, CAIS ::


Com a tarde armada
Esperamos sob o sol
Chover limonada




Aqui experimento
a morte assobiar forte
nas facas do vento




O silêncio mata
Não há viva alma neste ermo
Ou o ouvido é que delata




Chegou o carro negro
À pé, o medo veio mais cedo
O freio fez cruz-credo




Hi, cais e seus ratos
Do mar tudo aqui parecia
Lindo pro retrato




Caveira erguida
Frente ao queixo caído
Dois bobos sem vida




Refletores na grama
A rua quente e sozinha
Boa noite, madama




Seis corpos molhados
E os risinhos assim de
Desenho animado




Ia Paulo Leminski
De canoa bem furada
Salvar prosas chiques




Canta o signo célebre
O que se quer ouvir dele
Nuvens de papelão

 


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 13h48 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]









:: Post Post-Mortem ::



Dedico este verso



ao fino traço



que une as duas datas



abaixo do meu retrato





E ao mundo que coube
em risquinho, assim, mínimo.


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 04h49 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]









No silêncio do cortejo que sobe

datas e nomes muito antigos

retratos abandonados à altura dos pés

No silêncio corveja a impotência

o dia do lado de fora

No silêncio dos sapatos contra o cimento

 


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 03h04 [   ]
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foto de Michael Horowitz


::  AMOR,  :: 

                                                    À sacrosanta lírica de Dalton Trevisan

aqui,
com esta faca que você deixou em cima da tevê,
faço o que você tanto queria.

Ponho a gravata escura com a camisa branca
e penso se eu quero viver na putaria.

As calças limpei com a escovinha
que estava no box do banheiro.

E a calcinha da cadela eu já tirei de lá
do cano do chuveiro.

Ah, amor, espero que agora matando o teu amante
possamos rir de tudo isso aos beijinhos e ofegantes.

Do teu ‘Pedacinho Bronzeado’.
Um beijinho... na boca. ;-*

 

 


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 10h27 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]











Um tigre circula em volta da casa
Há pouco,
um cachorro escuro havia perseguido
nossa fuga escada abaixo e os entulhos
blocos e azulejos
nos serviram de colo

Estamos a um dia do Ano Novo
Época propícia para um cheiro mais sujo
parecer memória
Os restos de cartazes de shows na Barra Funda,
no viaduto Antarctica

 
Nos chega um convite
feito de papel-espelho e panos de guarda-chuvas
Para um evento
Na língua fofa e curta da televisão

O Teatro da Morte
O teatro do sabugo murcho

Pensamos numa maquete cheia de cortes de medulas
e o som dos alto-falantes dos estádios
E somos a mover com leveza o inferno
das incapacidades à boa possibilidade
 


 


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 01h07 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]






 

::09/09/09 às 09h09::


Dentro
 
( dos 60 segundos )

o poema

do acidente esperado

do trânsito eterno

da superfície pristina

da matemática de outro dia 
de ralar o cu na guia

da criação inventando 
a quarta-feira já programada


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 09h09 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]






::Sangrando Febre::


Sou levado às pressas à angústia
Com a infecção do medo
Estão evocadas ao hospital das minhas vísceras as emergências todas
Secreto um desespero grosso e escuro 
Já sobre o retângulo de esparadrapo 

Há manchas arrumando-se no tempo da cavidade da cama,
No metal úmido do abdome
Na presença fria e inchada da febre
Na desconfiança sei transtornada do meu coração-deserto

Uma cegonha de capa e cartola aparece e pergunta
Se procuro alguém sem transporte
E com urgência respondo que não ela manda que eu entre
Paro diante da falta de jeito com a situação
E quero observar os gestos
De seus pés que ciscam sem calma

- São teias, finas e trêmulas

Pergunto os cotovelos imediatamente na cama
veias saltando do pescoço
se lá dentro o chão é assim
jogado sobre o vazio
Ela não pode responder porque nunca entrou lá
E assobia uma canção bonita de tirar o fôlego
com um-seu motivo que parece descobrir na noite




por jeffersonalvesdelima@hotmail às 02h21 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]






:: V ::

Vamos soltar os laços, ah ah
Vamos prender espaços, ah ah
Vamos gozar o mundo
Que o dia curto
Vai começar

 


por jeffersonalvesdelima@hotmail às 16h51 [   ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]









por jeffersonalvesdelima@hotmail às 05h28 [   ]
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[ O Tempo, Este de Cabelos Cansados ]



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    ::CHUVA::
    No parapeito baixo
    da janela rosa,
    algumas gotas cantoras
    subiam depois de tocar
    a terra branca e a grama nova.

    Aproveitando o dia claro,
    outras gotas davam à chuva
    aulas de brincadeiras infantis
    girando em torno de si próprias e
    depois deitadas com as horas do meio-dia
    no pequeno jogo de descobrir.

    Com as asas molhadas sob o sol,
    o carteiro assobiava,
    fazendo um bico dentro
    [da caixa de correspondência,
    que era uma sorte
    ninguém saber o que há depois da morte
    se não era bem capaz de aparecer um filha da puta
    dizendo que sabe de que maneira
    se deve viver.

    (Abril / 006)



    ::PÉS PEQUENOS
    E PRONTOS PARA DANÇAR
    A QUALQUER MOMENTO::

    Alguma coisa já dita antes da Terra:
    Todo o problema é decalcar as palavras da abundância
    O inferno não conhece a fúria como palavra
    O corpo não conhece o sexo como palavra
    O silêncio, o escuro, o tempo,
    o azul, o amarelo e o vermelho,
    pelo que parece,
    não sabem das palavras

    (Abril / 006)


    Jefferson Alves de Lima, 34, jornalista, está a ponto de acreditar que vai dar para concluir o mestrado em Comunicação e Semiótica

    Ou só o do email:jeffersonalvesdelima@hotmail.com