No prédio onde moro Um barco atravessa os quartos Num vôo sonoro
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 23h59
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
Raízes de árvores geram em segredo a eletricidade Bei Dao
Com uma das mãos do amanhecer desenho frases de acrílico por entre teu nome
Um traço branco de asas que acabavam de acordar cortorna as copas em tudo negras das árvores e deixa no vento janeiro firmando-se
O céu ainda a depositar paisagens e distâncias no fundo escuro das águas vê lentamente o ar inspirando as lembranças que havia suspendido no interior violeta da tarde
O que tivesse sido a noite, em seu anúncio espesso, já começa a recolher, parada, as pontas de seu tecido preto dentro de um azul tênue como a fuga
O sol a entreabrir sem pressa a euforia dos cardumes aparenta não reconhecer com segurança o lugar de todas as cores
O dia poreja formas E teu nome a cada instante amanhece
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 12h27
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
sobre foto de Júlio Ferretti
Era um ar esmagado Pulmão à dentro Derrubando no peito Frases de pó calcinado
Palavras de afundamento Palavras de gás afogado O seio carbonizado Desengolindo cinzas no vento
Nariz à dentro Inalação morna Silicose, antracose
Nariz à fora Sopro pulverulento Baritose, asbestose
O ar & a troca
A eletrecidade oscila no suspiro do teu seio
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 00h28
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
sobre foto de Ian Cotta 
Viver é ser outro F. Pessoa Alma emputecida Empanada por cimento e cacos de vidro
Canta entre as giletes de tua gengiva
O gosto silente da encenação perdida que cá estou to ouvindo
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 02h12
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]

Veja aqui o embusteiro
Quando é um jogo começando
Jogou antes e primeiro
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 19h12
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
Perry Hall 
Vrummmmmmmmmmmmmmmmm
Longe na estrada
A rasgar solto a madrugada
Foi o automóvel ou nosso debrum!?
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 11h09
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]

:: A UNIBAN ESTÁ SOZINHA NESSA? ::
Esta gente que expulsou a garota da faculdade forma pessoas. Isto salta de cada declaração, de cada pronunciamento, de cada depoimento, de cada comunicado que a Uniban dispara sobre a expulsão da garota que ousou se apresentar num vestido vermelho demais, curto demais, em um espaço em que as pessoas buscam ampliar e dar cores a seus futuros e ao futuro dos lugares em que vivem e sofrem.
A todo tempo esta gente que expulsou a garota da faculdade por ousar estudar com um vestido vermelho demais, curto demais, fala em formação, educação, aprimoramento, desenvolvimento, compromisso e promoção de valores. Esta gente que expulsou a garota da faculdade forma pessoas.
São pessoas que dispõem seu tempo, seu empenho, suas vontades e dúvidas, suas necessidades e sonhos para esta gente que expulsou a garota da faculdade reforçar diante delas as suas noções de aprimoramento.
Reafirmam ali entendimentos sobre convívio, referências de liberdade e determinações sobre pertencimento para estas pessoas de um Brasil que há décadas sofre ouvindo que educação é a saída.
Mas esta gente que expulsou a garota da faculdade por usar um vestido curto demais, vermelho demais, não deveria saber que forma pessoas? E é, assim, que o caso todo que já era um descalabro, ganha lances, sobre lances, perturbadores. Como, dentro de uma universidade, 700 alunos perseguem uma garota por ela ter atitudes de 'puta'?
E se fosse uma 'puta' ela não poderia dispor seu tempo, seu empenho, suas vontades e dúvidas, suas necessidades e sonhos em busca de ampliar suas alternativas de futuro?
E isto se fosse, ainda que fosse 'puta', no condicional, considerado que o caso não é, nem por hipótese, quem 700 estudantes universitários perseguiram mas o fato de terem se investido do direito de perseguir.
Como neste lugar em que são reafirmados entendimentos sobre convivência, sobre referências de liberdade e determinações sobre direitos e deveres algo como isso chega a acontecer? 700 alunos perseguem uma garota por ela ter atitudes de 'puta'?
Pode-se imaginar que a turba, que correu aos guinchos atrás da garota (quando pensou ela ter o direito de estudar com o vestido que lhe desse vontade), pode-se pensar que a turba teve esta espécie de reação em cadeia das massas em todo o seu anonimato.
Uma espécie de avanço que foi do comentário de fundo sexual até a euforia do cio transtornado e toda a farra e explosão lunática que coube aí pelo meio. E isso seria tentar explicar o caos ou, ao menos, torná-lo (e seus gritos que pediam o estupro da garota) menos assustador.
Mas, no entanto, o que já era aterrador se transformou em treva absoluta sobre o papel da instituição 'ensino superior' no Brasil e tal forma como ensino e negócio estão sendo associados.
A reação deixou de se dar por parte de alunos transformados em bestas em seus espasmos lúbricos, que pareciam chafurdar nesta espécie de festa de execução e linchamento, para passar a ser do 'Conselho Superior da Universidade Bandeirantes'.
O que a direção da Uniban pareceu ter procurado com a expulsão anunciada em comunicado na capa dos principais jornais do Brasil neste domingo 8/11/2009 (a expulsão da garota que ousou se apresentar num vestido vermelho demais, curto demais) foi esta solução forte, rápida, impactante e de repercussão gongórica que grandes marcas do mercado no olhar do Conselho Superior da Universidade Bandeirantes, ao que parece, tomariam.
E, naturalmente, foi como empresa, como negócio, como marca e em 'resposta ao mercado', que a Universidade Bandeirantes parece ter desejado entregar a todos os seus '60 mil alunos', e diante de todos da sociedade, a sua face e o seu exemplo do que se deve fazer com uma mulher que pensa poder se 'insinuar', 'alimentar a curiosidade', 'aumentar sua exposição', 'ensejar, de forma explícita, apelos' e usar 'trajes inadequados', como é dito em seu comunicado redigido em busca de amparo numa moral que faz enregelar a espinha de quem vive no Brasil no ano de dois mil e nove.
Como uma garota expulsa por meio de um anúncio nacional pode ser o exemplo de uma universidade?
A universidade diz ainda em seu comunicado estranhar 'o comportamento da mídia', que ecoou o que foi feito com esta garota Geisy Villa Nova Arruda. E que a 'mídia' perdeu 'a oportunidade de contribuir para um debate sério'.
Debate sério, e preocupante, é este que se abre frente ao posicionamento de uma universidade que deixa entrever sua disposição (nesta noite de 9/11/2009 haveria de voltar atrás de sua decisão de expor a sua face terrível ao revogar a expulsão) e revela a forma como uma instituição dedicada ao ensino nivela seus alunos, seus professores, todos seus técnicos e profissionais como obstáculos, como empecilhos diante de seus negócios.
É como uma vigorosa entidade diante de seus investidores que a Uniban pareceu agir em todas as suas certezas fundadas num pensamento deploravelmente 'hábil' e que seu comunicado empresarial calculava defender tão bem.
E é, ao mesmo tempo, como universidade que ela financia a barbárie e atira sua natureza ligada à formação de pessoas, sem pudor, aos idiotas que quiserem se preocupar com isso.
Agora esta gente que expulsou da faculdade a garota que ousou usar seu vestido vermelho demais, curto demais, esta gente que forma pessoas como quem conduz uma marca financeira, será que esta gente está só, mesmo, na Uniban?
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 23h45
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
foto de Cristiano Mascaro 
:: Tempo Real ::
À memória de P. Leminski
Haja hoje agitado Pra tanto amanhã em branco e todo ontem riscado
.
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 19h46
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
foto Cia. de Fotos 
Fogo marítimo de pelos lisos, Sexo é o amor do vento acre e doce Molhando o juízo
.
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 13h41
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
foto de Vitoria Falabella 
:: HI, CAIS ::
Com a tarde armada Esperamos sob o sol Chover limonada
Aqui experimento a morte assobiar forte nas facas do vento
O silêncio mata Não há viva alma neste ermo Ou o ouvido é que delata
Chegou o carro negro À pé, o medo veio mais cedo O freio fez cruz-credo
Hi, cais e seus ratos Do mar tudo aqui parecia Lindo pro retrato
Caveira erguida Frente ao queixo caído Dois bobos sem vida
Refletores na grama A rua quente e sozinha Boa noite, madama
Seis corpos molhados E os risinhos assim de Desenho animado
Ia Paulo Leminski De canoa bem furada Salvar prosas chiques
Canta o signo célebre O que se quer ouvir dele Nuvens de papelão
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 13h48
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]

:: Post Post-Mortem ::
Dedico este verso
ao fino traço
que une as duas datas
abaixo do meu retrato
E ao mundo que coube em risquinho, assim, mínimo.
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 04h49
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]

No silêncio do cortejo que sobe
datas e nomes muito antigos
retratos abandonados à altura dos pés
No silêncio corveja a impotência
o dia do lado de fora
No silêncio dos sapatos contra o cimento
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 03h04
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
foto de Michael Horowitz

:: AMOR, ::
À sacrosanta lírica de Dalton Trevisan
aqui, com esta faca que você deixou em cima da tevê, faço o que você tanto queria.
Ponho a gravata escura com a camisa branca e penso se eu quero viver na putaria.
As calças limpei com a escovinha que estava no box do banheiro.
E a calcinha da cadela eu já tirei de lá do cano do chuveiro.
Ah, amor, espero que agora matando o teu amante possamos rir de tudo isso aos beijinhos e ofegantes.
Do teu ‘Pedacinho Bronzeado’. Um beijinho... na boca. ;-*
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 10h27
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]

Um tigre circula em volta da casa Há pouco, um cachorro escuro havia perseguido nossa fuga escada abaixo e os entulhos blocos e azulejos nos serviram de colo
Estamos a um dia do Ano Novo Época propícia para um cheiro mais sujo parecer memória Os restos de cartazes de shows na Barra Funda, no viaduto Antarctica
Nos chega um convite feito de papel-espelho e panos de guarda-chuvas Para um evento Na língua fofa e curta da televisão
O Teatro da Morte O teatro do sabugo murcho
Pensamos numa maquete cheia de cortes de medulas e o som dos alto-falantes dos estádios E somos a mover com leveza o inferno das incapacidades à boa possibilidade
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 01h07
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
::09/09/09 às 09h09::
Dentro ( dos 60 segundos )
o poema
do acidente esperado
do trânsito eterno
da superfície pristina
da matemática de outro dia de ralar o cu na guia
da criação inventando a quarta-feira já programada
por jeffersonalvesdelima@hotmail às 09h09
[ ]
[ ::Há um Click Dentro da Mão:: ]
[ O Tempo, Este de Cabelos Cansados ]
|